ELPIDIO PINHEIRO
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O encontro com a Morte

Dois são os maiores tabus da humanidade: o sexo (a gênese da vida) e a morte. No processo de aprendizado e do autoconhecimento me dispus a ir
de encontro à Morte: olhar em sua face e compreender por que, desde criança, sempre tive tanto medo dela. Em silêncio, aquietei meus
sentimentos e respirando profundamente, coloquei-me em situação de entrega para este momento.

De repente, comecei a ver um “cogumelo” de energia que, saindo da Terra, subia ao céu. E do céu, retornava à Terra. E a cada inspiração que fazia,
sentia-me “encarnando” e intuia: “eu existo”. E a cada expiração, intuia: “eu sou”. E neste plano superior (no alto do cogumelo) me encontrava com
antepassados que fizeram a passagem e com eles celebrava a Vida.

Ao inspirar, “encarnava”. E na Terra tinha a consciência e sabia que eu existo para aprender a ser.

A Humanidade, desde Alfa (a Origem) e até Ômega (para a eternidade), sempre foi e sempre será Una com a Consciência Suprema. E que em cada
encarnação, cada indivíduo, tem uma tarefa própria e distinta a fazer, para compor a teia e realizar o Projeto desta conspiração divina.

Na verdade, e para nosso deslumbramento, o que nos cabe é aprender a lição terrena: amar. E enquanto não reconhecermos a simplicidade e a
graça desta missão, sentimos angústia e um vazio ao qual não sabemos dar nome. Estamos condenados a amar e, enquanto não expiarmos esta culpa,
nada nos parecerá fazer sentido.

No dia seguinte a esta experiência, às 7h da manhã, recebi a notícia de que minha mãe, então em recuperação de uma cirurgia cardíaca em uma UTI,
tinha feito a passagem. Desperto, tive a clareza de que estiverámos sintonizados durante minha experiência da noite anterior. E de que ela, ao
relembrar de como é o lugar a que todos pertencemos, sorriu e se entregou apaziguada à beleza da Luz.

E eu, que estava disposto a enfrentar a sombra da Morte, descobri que no Amor só existe Abundância, Alegria e Vida.

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