Márcio Assumpção
yogaterapia@terra.com.br

O que temos para hoje?

De tempos em tempos, desde a origem da humanidade, o ser humano se vê ameaçado por pestes, guerras e conflitos. Com as informações chegando em segundos em nossos telefones, cada hora é uma ameaça diferente, espalhando medo e insegurança entre as pessoas.

De fato, é mais importante prevenir que remediar. Porém, o que quero expor neste artigo é como somos frágeis e como a vida escapa por nossas mãos num segundo. E como muitas vezes não nos damos conta disso.

Existe um lado sombrio e ignorante em cada um de nós que ainda insiste em dar valor para coisas que não são essenciais. Quanto tempo gastamos no nosso dia ficando irritados, brigando e perdendo tempo com coisas que não levam a lugar algum?

Quando surge uma epidemia que ameaça a vida, somos confrontados com essa realidade. Inconscientemente, questionamos: “o que estou fazendo da minha vida?”, “será que aproveitei o suficiente?” ou afirmações mentais que não conseguem sair pela voz, como “não posso perder tal pessoa, não conseguiria viver sem ela”, “minha família depende de mim, não posso morrer” ou ainda “sou muito jovem para morrer” (ainda que a definição de jovem seja extremamente flexível quando o assunto é a morte).

Independentemente de uma guerra ou epidemia, ao nascermos a única certeza que temos é que um dia morreremos. Quando isso acontecer, a realidade é que as pessoas continuarão vivendo ou sobrevivendo. Portanto o que temos para hoje é o dia de hoje. Pense bem: se hoje fosse o seu último dia de vida, o que você faria? Que lugar você gostaria de estar? Que pessoas você gostaria que estivessem ao seu lado? Que sentimentos você gostaria de cultivar?

Refletindo profundamente, só temos o momento presente. Sequer temos o dia de hoje, pois a cada segundo a vida nos surpreende com novas possibilidades. Será que estamos preparados para viver o dia de hoje? Podemos começar contemplando as manhãs, o sol ou chuva, a estação do ano, saboreando o café da manhã, o dia que pode ser especial. E, se ninguém ganhou na loteria, o que nos resta é trabalhar e contribuir para tornar o trabalho mais prazeroso,
fazendo mais e reclamando menos (seva yoga).

Podemos amar mais, brincar mais, rir mais, compartilhar mais, de verdade, nossa vida real. E nas horas de sofrimento podemos aprender com nossas frustrações, que trazem maturidade. Dias difíceis também são necessários. A vida só é vivida e sentida quando estamos presentes.

Mesmo fazendo tudo isso, ainda assim não afastaremos as perdas em nossa vida. Nem a morte, pois tudo tem começo, meio e fim. Mas todos os dias podemos
perguntar: o que temos para hoje?

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