RENÉ SCHUBERT
rene.schubert@gmail.com

Corrente do bem

“Nenhuma atividade no bem é insignificante…
As mais altas árvores são oriundas de minúsculas sementes”
Chico Xavier

“Palavras gentis podem ser curtas e fáceis de falar,
mas seus ecos são verdadeiramente infinitos”
Madre Teresa de Calcutá

Nestes tempos de pandemia, de isolamento social, com seus medos e tristezas – falamos muito da falta do contato, do abraço, da troca. De
disponibilizar-se ao outro e estar junto, contribuindo, plantando, colhendo, crescendo. Neste sentido vem a reflexão sobre a qualidade da gentileza. O
ato gentil, o calor humano, no meio social.

Gentileza é a qualidade do que é gentil, do que é amável. É uma forma de atenção, de cuidados, que torna os relacionamentos mais humanos e
flexíveis. Quem pratica a gentileza não tem má vontade, não é indiferente, mas é cuidadoso e delicado. Com olhar amplo inclui ao outro, da forma
como este é. A gentileza é uma forma de empatia. É uma ação feita por alguém que se importa e que busca mudanças positivas a partir da postura
em seu entorno.

No filme A Corrente do Bem, dirigido por Mimi Leder, há uma lição de perseverança e atitude em meio a um mundo frio e pessimista. O longa
conta a história de Eugene Simonet (Kevin Spacey), um professor de Estudos Sociais, que faz um desafio aos seus alunos, ele quer que eles
criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um de seus alunos é incentivado pelo desafio e cria um novo
jogo, chamado “pay it forward”, em que a cada favor que recebe o indivíduo retribui a três outras pessoas. Surpreendentemente, a ideia
funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen Hunt), a encontrar um
novo sentido em sua vida. Durante as aulas de Eugene os alunos são instigados a pensar sobre o valor que eles têm para o mundo estando
somente na 7ª série, mesmo não sendo livres para ir e vir, o professor os ensina a pensar sobre como eles querem ver o mundo quando puderem
tomar as próprias decisões. Os alunos ficam pensativos, assustados pelo tamanho do desafio, no entanto, Trevor consegue fazer um questionamento
pertinente já na primeira provocação, perguntando: “O que o senhor faz para mudar o mundo?”.

Neste sentido, quantos adultos, atarefados com suas obrigações, responsabilidades, dispõe de tempo, espaço para fazer gentilezas e cuidar
dos colegas, comunidade, meio social? Hoje em dia, quais atitudes ou desafios poderiam fazer o ser humano “sair da caixa” e propor algo relativamente simples, porém, modificador para a sociedade como um todo?

Uma forma cada vez mais disponível de altruísmo voltada ao bem comum é o trabalho voluntário. Talvez esta seja a ação que mais lembre o que
configura no filme Corrente do Bem. O trabalho voluntário tem sido incentivado em instituições educacionais e empresas visando alcançar uma
sociedade mais cuidadosa e solidária. É uma ação de prestígio social, visto que o voluntário ajuda quem precisa, contribuindo para um mundo mais
justo e inclusivo. Em minha agenda social, profissional, pessoal… Qual o tempo, a atividade, o talento, o diferencial que eu poderia disponibilizar e
estender ao outro, desconhecido e mesmo assim próximo, que poderia usufruir e crescer com isto?

JORNALZEN® 2020 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS