ZENTREVISTA:
Ligia Splendore
REPENSAR A LOUCURA
Ajudar de forma ágil, graciosamente, centenas de pessoas que estão passando por momentos de extremo sofrimento emocional e que manifestam necessidades urgentes no plano da saúde mental. Esse foi o objetivo da psicóloga transpessoal Ligia Splendore ao fundar o movimento Repensando a Loucura. Empreendedora comprometida com o bem-estar mental dos seres humanos, Ligia trouxe inovações relevantes no campo da saúde mental, entre as quais uma rede de apoio mútuo e o conceito de emergência espiritual. Atua no Spiritual Emergence Network – SEN Brasil, que oferece atendimento gratuito e acompanhamento de pessoas com questões psicoespirituais. Nesta entrevista, a colunista do JORNALZEN fala mais sobre o sofrimento mental e emocional, cuja conscientização é ainda incipiente, no Brasil e no exterior.


Como você despertou para a área de saúde mental e como você cuida da sua?
Foi logo após a graduação, quando fui para a Itália, fazer estágio no Serviço Psiquiátrico de Trieste, o qual surgiu durante o movimento da luta antimanicomial. Credenciado pela Organização Mundial de Saúde, é reconhecido como pioneiro na abolição dos hospitais psiquiátricos e na liberdade e reinserção social dos pacientes. A partir dali, questionei minha relação com a “loucura”, e meu olhar para a saúde mental foi ampliado. Hoje entendo que, para termos qualidade de vida, temos de ter essa consciência. Assim, eu busco esse cuidado diariamente.
Qual aprendizagem mais relevante você adquiriu sobre cuidar da saúde mental sem medicamentos?
Acho que o cuidado da saúde mental de uma forma natural é relativo à necessidade de cada pessoa. O autoconhecimento é o melhor caminho, pois quanto mais nos conhecemos mais teremos condições de cuidar do nosso “eu” de forma integral, incluindo as dimensões mental, emocional, física e espiritual. A questão dos medicamentos psiquiátricos deve ser vista com muito cuidado porque os remédios podem ser necessários para tirar a pessoa de uma crise psicológica mais aguda. Todavia, é chave buscar acompanhamento integral que trate a pessoa em sua integralidade. Novas pesquisas têm demonstrado o potencial terapêutico de substâncias psicodélicos (psilocibina, MDMA, LSD e DMT) para transtornos mentais resistentes a tratamentos convencionais.
Conte-nos sobre o movimento Repensando a Loucura e como ele ajuda as pessoas com questões de saúde mental.
Convido os/as leitores/as a lerem minha coluna no JORNALZEN, que tem como objetivo ampliar o olhar sobre a saúde mental e, principalmente, dar voz às pessoas que passam por experiências ainda tão mal compreendidas. Basicamente, o Repensando a Loucura promove espaços de diálogo entre psiquiatras, psicólogos e experienciadores, que são pessoas que passam por experiências espirituais e/ou anômalas, e que, muitas vezes, recebem diagnósticos psiquiátricos. Há eventos anuais e encontros quinzenais online, embora o grupo do WhatsApp funcione 24 horas. Ambos são inclusivos, atuando com apoio mútuo e escuta ativa, sem julgamento. São abertos a quem quiser explorar experiências e/ou crises psicoespirituais.
Qual o papel dos familiares na identificação e tratamento das doenças mentais? A população brasileira está consciente sobre isso?
Considero fundamental. Não somente na identificação e tratamento dos transtornos mentais, mas principalmente na criação de uma rede de apoio para auxiliar a pessoa em sofrimento a enfrentar a sua dor sem culpa e sem se sentir um problema. Espaços seguros para falar abertamente sobre as angústias e as dores da alma podem salvar vidas.
Quais são os eventos que você realiza? Como os interessados podem obter informações?
Anualmente, o movimento Repensando a Loucura tem um encontro em maio, quando celebramos também a luta antimanicomial. Os outros são quinzenais, às sextas-feiras, das 18h às 19h30. Para informações, siga nosso perfil no Instagram: @repensandoaloucura.
Como vê a proposta do JORNALZEN e qual o significado de ser colunista?
Conheço o JORNALZEN há muitos anos. Acho maravilhoso que estamos conseguindo manter essa forma de divulgação sobre temas extremamente importantes para os dias atuais, com qualidade e há tanto tempo. Foi uma honra quando a professora Windyz Ferreira me convidou para ser colunista. Gosto do desafio de escrever sobre saúde mental, um tema complexo que precisa ser difundido. O jornal é uma ponte para as pessoas em sofrimento mental e emocional que ainda estão isoladas e sem saber como lidar com seu sofrimento.
O que diria aos/às nossos/as leitores/as no sentido de usufruírem o conteúdo do jornal para melhorarem a qualidade de vida?
Ter acesso ao JORNALZEN, todo mês, representa um convite para lembrar de cuidarmos da nossa saúde e de melhorar nossa qualidade de vida. Aqui, o/a leitor/a vai acessar material de qualidade sobre assuntos atuais e relevantes. Ter, hoje, um jornalismo positivo, que se dedica a informar para transformar vidas através de conteúdo digital de qualidade, é quase um pequeno milagre.
