ZENTREVISTA

UMA NOVA FASE

Diretor e editor do JORNALZEN fala sobre processo de transição do jornal para o digital sem deixar de valorizar o veículo impresso

Mudança é palavra conhecida na carreira do jornalista Jorge Ribeiro Neto. Não é diferente neste momento, quando o jornal que dirige e edita está completando 15 anos de circulação. Fundado em janeiro de 2005, o JORNALZEN atinge tal marca encarando o desafio enfrentado pelos veículos de comunicação em todo o mundo. O advento da internet impôs a essas empresas um processo de transição por vezes penoso, mas irreversível. Com 30 anos de profissão e tendo no currículo a criação de cadernos e colunas, Jorge passou por redações de diversos jornais na região de Campinas antes de decidir, no final de 2004, deixar o cargo de editor-chefe para criar, com sua esposa – a psicóloga Silvia Lá Mon –, o JORNALZEN. Passados 15 anos, o jornalista faz um balanço da experiência e adianta novidades sobre o processo de intensificação do jornal nas mídias digitais – sem deixar de valorizar a edição impressa.

Como chega o JORNALZEN aos 15 anos?

Chega, principalmente, com sua proposta consolidada – ainda que não compreendida por algumas pessoas. O autoconhecimento é uma necessidade vital. O historiador israelense Yuval Harari – autor dos best-sellers Sapiens e Homo Deus – ressaltou essa urgência ao afirmar, em entrevista no programa Roda Viva (TV Cultura), que encoraja “todos, da pessoa mais pobre à mais rica: no século 21, vocês precisam se conhecer melhor.” O JORNALZEN facilita esse caminho. Por outro lado, conseguimos construir uma credibilidade invejável, fruto de muito trabalho e persistência. E só chegamos até aqui graças aos parceiros que valorizam nossa proposta, muitos deles conosco desde o início. Enquanto empresa e como veículo de comunicação, estamos enfrentando as dificuldades inerentes ao setor e à situação econômica do País. É um momento que exige criatividade, ainda mais agora, quando estamos cada vez mais voltando nossas atenções para o ambiente digital.

O que vai mudar?

Aos poucos, estamos priorizando as plataformas digitais. É inevitável. A demanda por redes sociais, por exemplo, é crescente. O jornal tem de estar cada vez mais presente nelas. No ensejo dos 15 anos, estamos reformulando nosso portal, que estará mais interativo e com muito mais conteúdo. Isso vai beneficiar o leitor e o anunciante, que terá outras opções de divulgação. Hoje, todos os jornais estão reformulando o modo de vender publicidade, oferecendo pacotes multiplataforma. Estamos seguindo essa tendência, em atenção à razão de tudo, que é o nosso leitor.

Como fica a edição impressa?

O JORNALZEN nasceu como impresso. Essa sempre foi nossa marca, nosso carro-chefe. Apesar da queda de tiragem em todo o mundo, nós apostamos no impresso. Não acredito que acabe, mas será mais restrito. A perspectiva é de que perdurem os jornais de fim de semana, quando há mais tempo para a leitura, e os segmentados – que é o nosso caso. 

Como analisa este momento do mercado da comunicação?

Intrigante e desafiante. O modelo de negócio das empresas de comunicação mudou profundamente. Muitos não conseguem resistir a essa revolução, como comprovam os diversos jornais, revistas e editoras que fecharam as portas ou enfrentam grandes dificuldades. A internet trouxe muitos benefícios e facilidades, mas com efeitos colaterais, como as fake news. Nós acreditamos na qualidade e no profissionalismo. Vemos o jornal como produto difusor de cultura e informação.   

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