ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE
Madá Neves
Alimento morto ou vivo?
Você já brincou de morto-vivo? Aliás, quem não brincou? Quem não se divertiu?... Ficou com aquele cansaço que apesar de estar morto era gostoso?
Estive refletindo sobre o princípio da brincadeira morto-vivo que é seguir rapidamente os comandos verbais de um líder que, sob seu comando, os participantes devem abaixar ou se agachar imediatamente. Esse líder faz o desafio acelerando os comandos ou repetindo a mesma palavra para confundir o grupo. Quem errar o movimento ou demorar para reagir é eliminado até sobrar apenas um vencedor.
Você deve se perguntar: O que tem a ver esta brincadeira com a alimentação? Trago uma reflexão importante sobre o morto-vivo. O que é morto-vivo na alimentação? Você já ouviu falar em alimentação viva? Se nutrir de alimentos vivos? Ou melhor, como está sua alimentação diária? Há um dito popular: “Você é o que come”, então, o que você está sendo?
Antes de mais nada, vamos entender esses significados. Alimentos vivos são aqueles consumidos em seu estado in natura ou bruto — como frutas, verduras, legumes crus e sementes e grãos germinados — que mantêm seus nutrientes e enzimas ativos. Alimentos mortos são aqueles com processo industrial pesado, ultraprocessados, cozidos em excesso, que perdem grande parte do seu valor nutricional e trazem aditivos químicos empobrecendo profundamente sua qualidade nutritiva e nossa saúde.
Quando brincamos de morto-vivo na alimentação caímos no processo de atender aos nossos próprios comandos, de escutar mais nossos organismos com suas necessidades ou ficar na manipulação da indústria alimentícia com suas repetições: “morto... morto...” fazendo com que este público dê mais atenção a visão, ao paladar, àquilo que sacia momentaneamente e que trazem silenciosamente danos ao corpo e a mente e obstrui o sagrado ato de alimentar-se com os grãos fartos do campo.
Eu costumo dizer: “Temos a arte de fazer um alimento como um simples arroz tornar-se um luxo, ou uma iguaria tornar-se um lixo através da vibração dos nossos pensamentos”, ou seja, a vibração na hora do preparo dos alimentos gera ganhos físicos, mentais e espirituais significativo, mas a maioria de nós não sabemos ou ignoramos essa energia...
Na tradição do ayurveda, o amor-próprio espiritual praticar ahimsa (não violência) com o próprio corpo significa não agredi-lo com toxinas, excessos ou alimentos que carregam a energia do medo e da morte dos animais, por exemplo. Ao ingerir alimentos vivos entregamos enzimas puras e vitalidade direta para nossas células. Respeitamos os limites do seu corpo físico, trazendo a calma necessária para o sistema nervoso sem embotar a mente. O corpo e a alma sabem quando participam de uma cadeia de sofrimento durante a alimentação. Portanto, oriento você a libertar-se, a libertar sua mente e seu corpo de pesos ocultos. Introduza na sua vida a qualidade da alimentação viva e verdadeira em nutrientes, que nos coloca na frequência da conexão ao estado natural de estar vivo, ser o líder de si mesmo(a), ser um realizador(a). Vivo ou morto, o que você escolhe?
Profa. Madá Neves, pedagoga. Cozinha desde criança. Estudiosa da alimentação, desenvolve receitas para pessoas celíacas, intolerantes a leite e a ovos.
