ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE

Madá Neves

Cozinha, nosso primeiro altar

Silêncio e palavras de inspiração divina transformam o alimento em algo sagrado.

Sister Shivani (Brahma Kumaris)


O que é o Sagrado na alimentação para você? Eu sou aquilo que como? Como fortalecer o sistema imunológico da alma? Para mim, a cozinha é o primeiro altar que a gente conhece. Minha mãe não me ensinou só receitas, me ensinou paciência, ponto e partilha. Todo alimento plantado com amor tem gosto de casa, cheiro de refogado que busca a memória de infância… que traz à tona a saudade de casa cheia, mesa farta, risos sinceros. A geração passa, mas o cheiro do refogado fica no âmago da gente.

O silêncio fala mais alto porque comida feita em ioga carrega as preciosidades de uma mente que vibra paz e emana luz, amor, poder, prosperidade. E silêncio bom na mesa vira espaço para olhar no olho, para ver a mão que serve, sem TV, sem celular, sem pressa. O prato esvazia, a conversa enche, há partilha real: “Passa o arroz” vira cuidado. “Tá gostoso” vira “Obrigada por existir comigo” e “Fica mais um pouco”.

Sagrado não é só o que está no prato. É o que aconteceu antes dele chegar ali. É a mão que plantou, que colheu, que escolheu cada ingrediente, que higienizou, que cortou, preparou com cuidado. Que mesmo na pressa do cotidiano agradeceu baixinho antes de dar a primeira garfada sentindo cada grão, cada folha, cada legume sendo harmonizado na boca e suavemente penetrando, indo a fundo no ser, nutrindo cada célula, cada molécula, dando sustento para o corpo e para a alma.

Sagrada é a mãe que tem como ingrediente principal o valor da saúde do filho, que preza a vida de cada um. Que não pergunta o que ele ou ela quer comer ou que obriga comer, mas explica o porquê é importante comer aquilo. Sagrada é aquela que previne o bem-estar da família com o colorido que vai em cada prato. Que une as mãozinhas da criança e ensina o poder da gratidão, de tornar o prato sagrado e a comida abençoada.

Seja a mãe, o pai, a avó, ou quem quer que esteja cozinhando, é importante lembrar que o som do silêncio traz a abundância, a prosperidade e faz fortalecer o sistema imunológico da alma, mas todo o se sistema sutil que canaliza todas as bênçãos do Sagrado de Deus em mim, no outro e no Universo que por sua vez vibra a favor da cozinha que tem sempre um prato a mais na mesa para alguém.

Falando nisso, 10 de maio é um dia muito especial, quando celebramos quem sempre tem um pouco a mais na panela... o dia das cozinheiras, que às vezes não têm tempo de parar porque são muitas bocas que esperam o Sagrado... Ser cozinheira não é profissão; é sacerdócio de avental: é quem transforma fogo em colo, água em cura, simples em festa, fome em memória.

Eu digo mais: os cozinheiros são os primeiros alquimistas do mundo. Na sua cozinha não cozinha comida. Cozinha gente, cozinha menino bravo até virar riso, cozinha dia ruim até virar “Tá tudo bem”, cozinha saudade até virar presença na boca.

Parabéns a todos e todas que fazem do fogão um altar, da colher de pau um terço que reza e abençoa, da panela o útero que pare fartura todo dia. Então, no dia 10, não só damos os parabéns, damos o prato lavado com nosso “muito obrigado”. Dizer que esse é um dia de todos lembrarem que toda revolução começa na cozinha. Beijos nessas mãos calejadas, nos dedos queimados, no avental manchado de vida, na touca cheia de reza de oração de meditação.


Profa. Madá Neves, pedagoga. Cozinha desde criança. Estudiosa da alimentação, desenvolve receitas para pessoas celíacas, intolerantes a leite e a ovos.

marianeves0812@gmail.com


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