AUTOCUIDADO & BEM-ESTAR

Jackeline Susann

Solte-se na sintonia da música


“Naquela mesa, ele sentava sempre. E me dizia sempre o que é viver melhor. Naquela mesa, ele contava história, que hoje na memória eu guardo e sei de cor. Naquela mesa, ele juntava gente e contava contente o que fez de manhã. E nos seus olhos era tanto brilho, que mais que seu filho, eu virei seu fã...”


Começo esta coluna com o trecho do samba Naquela Mesa, do compositor Sérgio Bittencourt. Essa é uma das minhas canções favoritas, porque carrega imagens e emoções: uma mesa que se tornou palco de acolhimento, encontros, conversas e lembranças de um filho sobre a presença amorosa do seu pai. Esse é um exemplo do poder da música, pois ela pode nos levar a pensar, a refletir e a imaginar. Ou ainda, de modo diferente, a música é um meio de deixar o corpo fluir pela dança, sem grandes preocupações acerca da vida.

A música é, talvez, a única linguagem que não exige tradução, pois o que prevalece é o sentir, o apreciar ou o encantamento sentido com uma letra ou uma melodia. Nietzsche disse: “Sem música, a vida seria um erro”. Você consegue imaginar a vida sem música? Impossível, né? Em uma segunda-feira cinzenta, uma música tocando no rádio pode salvar o seu dia. A própria natureza tem a sua musicalidade: o canto dos pássaros, o som da chuva, o assobio do vento, as ondas do mar, o encontro das folhas das árvores, as batidas do coração... Ao mesmo tempo, a música é capaz de “silenciar” e nos desligar dos ruídos do mundo, como falas desencontradas, buzinas incessantes e notificações tecnológicas constantes. A música pode interromper fluxos sonoros que incomodam no dia a dia, em prol de momentos de conexão e paz. A musicalidade é um meio de encontrar a si, de relaxar e perceber as nossas emoções. Especialistas reconhecem a musicoterapia como uma alternativa para pessoas com quadro de depressão, ansiedade ou mesmo como suporte para pessoas autistas.

Desde os primórdios, o ser humano tem a capacidade de criar melodias. Além disso, somos o único animal que, de forma intencional, compõe músicas. A capacidade racional humana permite combinar letra, compasso, intensidade e timbre de uma maneira perfeita. Assim, qualquer que seja o lugar, a música estará lá. Faz parte de todas as culturas. Fernando Iazzetta, professor titular de Música da USP, argumenta que a música, por um lado, “se constitui numa das mais ricas e difundidas atividades culturais da sociedade atual; e por outro, ela conserva um caráter de abstração que resiste a qualquer definição fechada ou precisa”. Nesse sentido, a liberdade artística é um ponto-chave para a criação de uma variedade de sons, letras e melodias. Nesse vasto espaço, o Brasil se destaca como um país com grandes talentos e diversidade musical. Num mundo de ritmos, certamente, você já encontrou o seu estilo musical e cantores preferidos.

Incluir a música na rotina de autocuidado é uma maneira simples de deixar o dia mais leve e feliz. Uma lista de músicas pode te acompanhar no caminho do trabalho, na hora de cozinhar, no momento de meditar ou mesmo minutos antes de dormir. Experimente também ouvir sinfonias instrumentais, sons da natureza e mantras. Esses tipos de canções acalmam e afloram o equilíbrio interno. Aprecie nosso tempero tropical, único e contagiante, que faz com que nosso país seja um berço cultural que abriga tantos talentos como Carmem Miranda, Alcione, Fafá de Belém, Cartola, Benito Di Paula e Luiz Gonzaga. Cuide-se em tom maior e “deixe a tristeza pra lá”. Musique-se!


Profa. Dra. Jackeline Susann Souza da Silva. Universidade Estadual do Ceará. Autora do livro 31 dias de autocuidado: um livro prático.

jackelinesusann@gmail.com


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