AUTOCUIDADO & BEM-ESTAR

Jackeline Susann

Como você define Consciência no seu trabalho? Porque formar pessoas conscientes é importante?

Consciência é uma potencialidade do ser que, ao integrar o sentir, o pensar e o agir no dia a dia das relações, com base nos valores das leis naturais que regem o Universo, serve de norte na direção do autoconhecimento, da autorrealização e do que eu denomino “Sersendo”, cujo conceito esclareço em minha coluna nesta edição. Auxiliar na formação de pessoas cada vez mais conscientes é essencial porque é por meio da Consciência que o ser reconhece sua essência, identifica o seu papel individual e coletivo, se implica com o seu processo de autoconhecimento e, portanto, melhora a qualidade das relações consigo, com o outro, com a natureza, com a humanidade. Essa formação deve ocorrer no âmbito da educação familiar; do sistema formal de educação, da educação infantil ao ensino superior, em nível de pós-graduação; e com as organizações empresariais, governamentais e do terceiro setor.


Como você se tornou e o que faz uma Embaixadora da Paz da Universal Peace Federation?

Ser Embaixadora da Paz pela UPF é um reconhecimento internacional concedido a pessoas que demonstram compromisso concreto com a promoção da paz, da ética, do diálogo e do bem comum na sociedade. No meu caso, esse reconhecimento é resultado das ações educacionais que realizo voltadas para despertar, construir e desenvolver a Consciência na humanidade. Defendo que a paz é fruto do desenvolvimento da Consciência. Como atribuições, assumo o compromisso de realizar ações educativas sobre Consciência e cultura de paz em qualquer parte do mundo em que seja solicitada. Já estive em várias cidades do Brasil, além de Coreia do Sul, Suíça, Nova York e Portugal com integrantes da Universal Peace Federation para diálogos e parcerias.


Você já publicou 19 livros. Qual foi o mais importante na sua carreira e vida? Por quê?

O primeiro livro foi muito marcante. Naquela oportunidade, em 2005, senti a concretização de algo que almejava, com perspectivas de auxiliar muitas pessoas com as ideias compartilhadas na obra Os Ditames da Consciência: o papel da Consciência em face aos desafios atuais da educação. Em 2025, foi lançado Os Ditames da Consciência: “Sersendo”, livro no qual retrato minha maturidade como escritora, após 20 anos de estudos, pesquisas e produções sobre essa temática.


Quais são seus planos e sonhos para o futuro próximo?

Manter a escrita de um livro por ano sobre a Consciência, além de expandir a realização do workshop “Os Ditames da Consciência” e da vivência “O Despertar da Consciência” para outras regiões, tanto no Brasil como em outros países, como fizemos no Canadá. No ambiente virtual, pretendo focar na produção do programa “A Consciência se pratica”, através do meu canal no YouTube.


Como tem sido sua experiência como colunista do JORNALZEN? Nosso jornal adicionou algo em sua vida e trajetória?

Estou positivamente impactada pela qualidade técnica do JORNALZEN e, principalmente, pela visão sistêmica, integrada e sincrônica entre as(os) colunistas.


Que orientação você deixa para nossos(as) leitores(as) sobre cultivarem a elevação da Consciência e por quê?

A orientação que deixo é que assumam, de forma cada vez mais consciente, a jornada do “Sersendo”, buscando, em sua própria interioridade, o reconhecimento de quem são em essência. Isso exige disposição para sentir, pensar e agir de maneira integrada, refletindo no comportamento diário os princípios das leis naturais que regem o Universo. É fundamental despertar, construir e desenvolver a Consciência através de estudos e práticas de centração, de modo a elevar esse nível de maneira abreviada. Quando nos tornamos mais conscientes, nossas ações se tornam mais coerentes, nossas relações mais harmoniosas, e nossa contribuição para a sociedade mais significativa. Assim, ao vivenciarmos plenamente o “Sersendo”, nos realizamos enquanto indivíduos e colaboramos para a construção de uma humanidade mais equilibrada, harmônica e pacífica.



Trinta de abril: celebramos o Dia Nacional da Mulher, instituído em 9 de junho de 1980 com uma lei que unifica a data nacional ao Dia Internacional das Mulheres: 8 de março. Um dia para a celebração das mulheres é uma forma pública de reconhecimento da luta por igualdade de direitos. Esta é também uma forma de chamar atenção à necessidade de transformação da sociedade para a eliminação de todas as formas de violência e discriminação contra nós, mulheres. Mas, como podemos modificar o mundo para torná-lo um lugar mais justo e igualitário para a diversidade de mulheres? É preciso mudanças governamentais e promoção de transformações culturais para ocorrer o reconhecimento do nosso valor, de nossos direitos humanos e, também, de nosso importante papel social. Tal reconhecimento passa, necessariamente, pela visibilidade da atribuição — quase que única à mulher — da responsabilidade de exercer o cuidado social, historicamente, reconhecido como uma função feminina. As teorias feministas, hoje focadas na análise crítica sobre a divisão social do trabalho, contestam a atribuição de papéis específicos para homens e mulheres, definidos de modo arbitrário.

A pergunta principal da teoria do cuidado é: quem cuida? Mas eu questiono: por que o cuidado com o outro, consigo e com o mundo é importante para a sociedade?

Na tradição histórica, seja no âmbito doméstico, seja nas relações laborais, as mulheres ocupando posições hierárquicas distintas são as responsáveis por assumir as tarefas do cuidado, tanto nos espaços privados (por exemplo, na atenção aos filhos, aos pais, mães, avós, etc.) e nos espaços públicos como no trabalho em ocupações feminilizadas, tais como, professoras, enfermeiras, cuidadoras de idosos/as e assistência social. O imaginário coletivo tradicional, portanto, delega o domínio do exercício do cuidado à “natureza constitutiva” das mulheres, o que não acontece de igual maneira na socialização dos homens.

O trabalho do cuidado demanda muito tempo de dedicação de nós, mulheres, que somos iniciadas a aprender e incorporar o “cuidar do outro” desde a infância quando brincávamos de cuidar de bonecas... ou fazíamos comidinha. A responsabilização social do exercício contínuo do cuidado, por incrível que pareça, ainda é invisível no século XXI, uma vez que essas atribuições ainda são delegadas subjetivamente às meninas e às mulheres, como se esta função fosse uma característica intrínseca e natural da nossa identidade de gênero. Pior: o desempenho do cuidado é subestimado por ser considerado supérfluo para a vida coletiva, percepção social que é um grande equívoco já que a sociedade só existe como tal porque há um sistema de cuidado que sustenta essa estrutura social.

O Dia das Mulheres não deve ser apenas uma data, mas um convite para refletir sobre o papel das mulheres no mundo. O cuidado compartilhado como uma responsabilidade humana, de homens e mulheres, é uma dimensão importante na construção de um mundo mais justo e igualitário para todos(as). Nesta coluna, quero convidar você mulher — e quiçá seus parceiros — para construirmos um processo interno de transformação por meio de uma profunda reflexão sobre os aspectos externos e os limites sociais que estão implicados no nosso cotidiano como mulheres, justamente para que o cuidado do outro, o cuidado do mundo e o cuidado de si não sejam mais entendidos como ações isoladas e individuais, mas como uma ação social e política.


Profa. Dra. Jackeline Susann Souza da Silva. Universidade Estadual do Ceará. Autora do livro 31 dias de autocuidado: um livro prático.

jackelinesusann@gmail.com