CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE
Windyz Ferreira
O cérebro e o fluxo da vida
Sessenta e nove anos no dia 20 de abril! Quase sete décadas vividas neste planeta, nesta encarnação. Muitas dores e muitas alegrias. Muitas aprendizagens e muitas memórias esquecidas… O passado fica no passado, o futuro desconheço. Agora é o momento de viver o que importa, aprender com o que vale a pena e fazer as escolhas mais acertadas possível porque a gente pode sempre se equivocar, certo? Mas é para isso que serve o autoconhecimento e estar aberta/o às mudanças.
Depois de muito viver, estudar e me autoconhecer, compreendi que o fluxo incessante (e alucinante) da vida na terra serve ao propósito maior da evolução espiritual, como dizem meus mentores e mestres, evolução na linha infinita da luz. Somente quando caminhamos a jornada terrena com consciência de cada passo, observação de cada comportamento/ação e atenção à qualidade de vibração de sentimentos e emoções que emanamos é que eu me torno capaz de conectar minha alma e ser guiada/o por ela.
Um privilégio mágico, poderoso e curativo estar conectada à minha alma porque é ela que me conecta às virtudes divinas e é com ela que eu chego ao grande Arquiteto do Universo, o Uno e Sábio/a, que de lá do campo quântico (Universo) que vibra em nossas e em todas as vidas, nos abraça, abençoa e fortalece para viver as adversidades que vão nos levar a vibrar na luz. Porque são as dores que queimam carma e me tornam uma versão melhor de mim mesma (e não as boas e memoráveis experiências registradas em fotos e vídeos para a posteridade).
A neurociência evidencia que na nossa evolução filo (das espécies) e ontogenética (do ser desde a gestação), o cérebro aprendeu a resistir a mudanças para garantir a sobrevivência da espécie. Para isso, o cérebro cria hábitos e rotinas… ele deixa tudo bem conhecido e arrumado em nossa memória inconsciente, de forma que não se surpreende ou gasta mais energia. Todavia, o cérebro aprendeu ao longo da evolução a lidar com a mudança por meio da capacidade de adaptação e resiliência (lidar bem com as adversidades) porque o fluxo da vida inevitavelmente implica mudanças, imprevistos, ameaças. Como autoproteção, então, o cérebro aprendeu a importância da “negatividade”, isto é, dor emocional, medo, perda, e tudo aquilo que nos tira do eixo. É exatamente por isso que guardamos bem guardado os traumas e dores profundas ou leves... para nos protegermos quando acontecer de novo! Além disso tudo, o cérebro não distingue o que é real (acontecimento) do que é irreal (pensamento, sentimento).
O problema é que o imprevisto faz parte do fluxo da vida e, com mais frequência do que reconhecemos, nos sentimos ameaçadas/os com as mais diversas experiências que podem ser verdadeiras, reais ou que podem ser (e a maioria é!) produto de nossa mente (pensamento) e sentimentos. Aí o cérebro entende a ameaça como um risco à sobrevivência e nos coloca em estado de fuga ou luta, que nada mais é do que uma resposta neurológica ao estresse.
Bem, imagino que você já entendeu que o cérebro não ajuda muito quando se trata de imprevisto e mudanças. Mas, a mente consciente, a conexão com a alma e o compromisso com o autoconhecimento ajuda a fazer as escolhas certas. Aí, com um serenidade, respiração, meditação e um “papo” gostoso com o cérebro dizendo “Olha, está tudo bem, não tem perigo me ameaçando, eu estou serena e feliz”, ele vira um parceiro valioso e tudo fica mais simples porque ele — o cérebro — é altamente inteligente e busca as melhoras soluções e caminhos na mudança.
A propósito, estou mudando esta coluna a partir da edição de junho de 2026, quando começo a tratar do tema Neurociência na Vida.
Profa. Dra. Windyz Ferreira é especializanda em Neurociências e professora de meditação.
