CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE
Windyz Ferreira
O perdão que liberta e cura
Entre o cérebro e alma tem um espaço onde habita o perdão, etéreo, sereno e sutil. Ele habita um espaço de paz, luz e amorosidade que nós, seres humanos, somente conseguimos acessar quando nosso coração se abre para a superação das dores e conflitos internos e externos, que tem origem no passado.
Quando o ressentimento e a mágoa se instalam no coração e só tendem a crescer porque o cérebro lembra, relembra, rumina... conta e reconta o tempo e vive em agonia desejando — mesmo que inconscientemente — revanche, o troco, a devolução, um dia, em algum lugar. Por alguma razão que a alma e o coração não entendem, o ser humano acredita que no dia que conseguir dar o troco será libertado do sofrimento causado pela mágoa e ressentimento. Mas... o que a alma e o coração entendem menos ainda é o fato de que essa pessoa não percebeu que tem vivido acorrentada, aprisionada por esses dois sentimentos que a levam — às vezes — a anos de sofrimento profundo que provocam doenças.
A necessidade de revanche é destrutiva. A manifestação do perdão é libertadora. Ao desejar e cultivar a revanche, não se vive plenamente porque passa-se a viver apenas um pedaço de nós mesmos, cacos que machucam continuamente como pequenos vidros estilhaçados que espetam nossa alma e empurram o cérebro para dentro de um ciclone de pensamentos destrutivos.
O ressentimento e a mágoa pertencem a quem os vive e o sujeito da revanche talvez esteja imune à sua baixa vibração porque não reconhece sua existência. Pode nem mesmo saber de sua existência. Então, o sofrimento é de quem os cultiva dentro de si e não de quem é objeto da revanche.
O desejo de revanche pode se travestir de um olhar, um gesto ou palavras sutis soltas no ar que possui uma direção clara: atingir alguém. E aqui mora o perigo! O perigo de construir karma que vai, em algum momento de sua evolução espiritual, cobrar: a lei da causa e efeito universal não esquece.
Ao perdoar, entretanto, tudo se dissipa. Revanche e sofrimento evaporam no ar, se desfazem como em um toque de mágica, um milagre de Deus. Grilhões que se arrebentam e se tornam fios de prata iluminados que circulam em torno do ser e o elevam, mesmo que não sejam vistos e nem sentidos porque o processo de cura ainda está acontecendo e o corpo físico com seus limitados cinco sentidos precisam de tempo para – de fato – sentir... Ao perdoar, a paz penetra o coração que vibra na frequência do sagrado e banha a alma, limpando ao mesmo tempo a matéria (corpo) e abrindo caminho para o milagre da cura divina.
“A energia divina que me criou me cura” me ensinou o Dr. Joe Dispenza quando fiz seu Retiro Ilimitado em Varsóvia, na Polônia, em 2023. Um final de semana inteiro durante o qual ele nos ensinou que temos o poder da cura dentro de nós — no espaço entre o cérebro e alma. Ao aprender a meditar com meus mentores espirituais, ao aprender a meditação Raja Yoga da Organização Brahma Kumaris aprendi a mergulhar dentro de mim para encontrar e conectar com a alma que sou, ser puro e compassivo que me ajuda a compreender o poder do perdão.
Ao perdoar, a alma brilha novamente, flutua celebrando a liberdade e o amor ao próximo, incondicional e divino, curativo e pleno. Um amor tão poderoso que ao se expandir se irradia no corpo físico, com tal força que eleva e ilumina. E, nesse movimento de libertação e celebração, o cérebro se purifica daquilo em que se viciou por anos: a mágoa e o ressentimento e, ao se purificar, purifica a vida que se transforma em uma experiência espiritual divina.
Profa. Dra. Windyz Ferreira é especializanda em Neurociências e em Envelhecimento Humano.
