Dançaterapia: sentir, liberar e se reconectar
Provavelmente você já ouviu falar de dançaterapia, mas eu tenho quase certeza de que você desconhece os benefícios dessa abordagem corporal transformadora e curativa...
Fabi Dutra
Provavelmente você já ouviu falar de dançaterapia, mas eu tenho quase certeza de que você desconhece os benefícios dessa abordagem corporal transformadora e curativa...
Nem sempre conseguimos explicar o que sentimos. Às vezes, a mente entende, mas o corpo continua tenso: ombros rígidos, respiração curta, cansaço, travamentos. A dançaterapia é uma ferramenta terapêutica que utiliza música e movimento para acessar emoções profundas, liberar tensões acumuladas e ampliar o autoconhecimento — sem exigir técnica, coreografia ou “saber dançar”.
A proposta parte da ideia de que emoções não expressas podem se transformar em couraças corporais. Sentimentos como tristeza, medo, raiva ou mágoa podem ficar represados ao longo da vida. A música funciona como ponte para acessar essas camadas internas; a dança, como um modo de dar saída ao que o corpo precisa dizer. O foco não é performance: é expressão com segurança e sem julgamento.
Apenas para que você possa entender a dinâmica, um exemplo de sessão individual poderia ser: a pessoa escolhe músicas conectadas a um tema que deseja trabalhar. Em geral, são escolhidas duas músicas: a primeira ajuda a entrar em contato com a emoção e permitir que ela seja reconhecida; a segunda favorece a liberação dessa emoção que pode ter ficado represada por longo tempo. Durante o processo, o movimento é livre e orgânico. Quanto menos padronizado, melhor. A ideia é sair do “passinho automático”, abrir espaço para o corpo realizar o movimento que ele precisa.
Na dançaterapia em grupo, em geral o recurso do movimento é ainda mais utilizado do que nas sessões individuais e os conteúdos acessados são trabalhados posteriormente nas rodas de conversa. Neste caso, os benefícios vão além dos ganhos físicos de uma atividade corporal. Muitas pessoas que experimentaram uma vivência como essa, relatam leveza, sensação de liberdade, maior energia, melhora do humor e da presença. Ao permitir que o corpo se mova como ele precisa, a pessoa reduz tensões, amplia a capacidade de sentir sem se assustar e fortalece a autoestima — especialmente para quem carrega a crença de “não sei dançar”.
A dançaterapia pode ser indicada para quem busca aliviar estresse, destravar emoções, melhorar a relação com o próprio corpo e desenvolver autoconhecimento. Não existe restrição de faixa etária ou gênero. Em um tempo em que tanta coisa é reprimida e acelerada, utilizar a dança como recurso, pode ser um retorno simples e potente para voltar a habitar a si mesma/o com mais verdade, presença e vitalidade.
Fabi Dutra é dançaterapeuta e terapeuta integrativa
