ELEVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA
Maribel Barreto
O óbvio é ilusão da realidade
Quem somos? Essa é uma pergunta que acompanha a humanidade há milênios. Ela nos conduz pela senda da identidade, da essencialidade e do inevitável encontro com aquilo que realmente somos.
Ao longo da história, encontramos registros profundos sobre essa busca. Mestres espirituais, desde Krishna até os dias atuais, têm procurado compreender o Ser em sua totalidade, apoiando-se na experiência direta, no raciocínio honesto e no sentimento desperto. Trata-se de uma abordagem que ultrapassa a fragmentação, a superficialidade e as ilusões que tantas vezes confundem nossa percepção da realidade.
Nessa jornada, buscamos a mais alta definição de identidade. Esses mestres nos mostram que, enquanto não alcançamos um grau significativo de consciência, o discernimento do ser humano permanece limitado. Sem distinguir claramente a ilusão da realidade, tornamo-nos mais vulneráveis a escolhas equivocadas, inclinados(as) a riscos e perigos inevitáveis, bem como a prejuízos quase irreparáveis, especialmente nos relacionamentos e nos projetos que idealizamos. Sair da ilusão e adentrar o campo da realidade é um convite permanente. Para aqueles que já percebem, ainda que teoricamente, sua verdadeira identidade, chega o momento de aprofundar a experiência de reconhecer em si mesmos a razão de sua existência. Nesse processo, a consciência é a chave.
Quando refletimos sobre consciência e identidade, percebemos que são sinônimas, pois o meio dá forma ao fim: enquanto a identidade expressa quem somos, a consciência nos permite reconhecer e vivenciar essa verdade no cotidiano. Por isso, a consciência desempenha um papel fundamental: ela evita ou dissolve as ilusões que nos afastam de nossa verdadeira natureza. Essas relações envolvem tanto a nossa Natureza Interna quanto a Natureza Externa, o nosso universo orgânico individual e o universo orgânico total, em equilíbrio dinâmico, visto que, no Universo, tudo é sistêmico, tudo é orgânico, tudo existe e funciona em razão do Todo.
Nessa perspectiva, você percebe que o Universo busca conhecer a si mesmo por meio de todos nós? Pois bem, em cada ser humano, ele se observa, se questiona e se revela. Assim, Deus não apenas nos convida a cumprir uma tarefa no Todo; convida-nos a reconhecer nossa participação consciente nele. Isso amplia nossa responsabilidade e se torna mais perceptível à medida que se eleva o nosso grau de Consciência.
Lembremos, portanto, que, no Universo, nada diverge; tudo converge e nos faz compreender o todo do protocolo de Deus para conosco. Nessa dimensão do Universo e de seu papel, estudos científicos, filosóficos e religiosos anunciam que ele é feito para gerar vida, consciência e inteligência. Sem a nossa Existência, sem uma Consciência, o Universo não poderia existir. Ele nos convida a nos percebermos como o Centro do Universo, de maneira a podermos viver em plena sintonia com ele e com Tudo. Somos, assim, um microcosmo do ser cósmico, constituídos da mesma matéria e sustentados pela mesma dinâmica que permeia tudo o que existe. Somos expressão do inusitado, do inenarrável e do inefável que habita em nós e em todas as coisas.
Essa certeza, por si só, já nos instiga, atrai e impulsiona a desvendá-la em nós, desde nós mesmos. Reconhecer nossa origem divina, transcendental e real, ainda que temporariamente, é, de fato, o primeiro passo da Identificação. Experimentemos. Juntos pela Consciência.
Profa. Dra. Maribel Barreto é escritora e embaixadora da Paz pela UPF/ONU.
