ELEVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

Maribel Barreto

Consciência significa “sem medida”


Você compreende que a Consciência é a capacidade essencial para lidar com as questões da existência e buscar conhecer a si mesmo em sua verdadeira essência? Eis o valor das práticas de centração, meditação, contemplação, silêncio e exaltação, pois, quando o ser humano se eleva ao vazio interior, ele encontra, encontra Deus no infinito, o Todo, a dimensão que é sem medida.

Quem vive consciente de que o infinito habita dentro de si não encontra dificuldade em perceber o infinito ao seu redor porque é da interiorização que nasce o estado de plenitude no qual nada falta. Nesse caminho, somos convidados/as a experimentar o essencial, o imutável e o atemporal, superando os excessos da exterioridade que frequentemente dispersam a atenção humana.

Ao longo de séculos, a sociedade valorizou intensamente o conhecimento técnico, científico e material. Sem dúvida, tais avanços são importantes. Contudo, o conhecimento voltado apenas para a exterioridade já demonstrou seus limites. Ao apegar-se somente às partes, compreende-se parcialmente o ser humano, sua consciência e o Todo que o constitui. O excesso de informação não tem sido suficiente para produzir equilíbrio interior e paz, enfim, saúde integral. Muitas vezes, o foco é colocado no domínio do mundo exterior enquanto o universo que habita dentro de nós é desconhecido. Por isso, torna-se fundamental incluir o estudo da consciência nos processos educacionais e formativos.

O ser humano não vive apenas de aparência, técnica ou produtividade. Existe uma dimensão íntima que precisa ser reconhecida e trabalhada com similar importância. A Consciência é ponte, instrumento e caminho para ampliar o olhar interior e favorecer relações mais equilibradas consigo mesmo, com o outro e com o todo. Assim, não basta ensinar apenas português, matemática, física ou química, seja na educação formal ou familiar. É igualmente necessário — e fundamental — ensinar virtudes como fortaleza, temperança, prudência, perseverança, esperança, caridade e fé. Educar também é formar para a virtude, para o discernimento e para a responsabilidade moral diante da vida. Uma sociedade que desenvolve apenas competências técnicas, mas negligencia a formação interior, corre o risco de produzir seres humanos capacitados, porém emocionalmente frágeis e espiritualmente desorientados.

Investir nas virtudes é essencial para todos, especialmente para aqueles/as que já despertaram maior grau de consciência. Pensamentos, ideias e atitudes virtuosas ampliam a percepção criadora e aproxima o ser humano da dimensão sem limites. Virtuoso é quem ama a virtude, e quem ama a virtude é transformado por ela. Desenvolver a consciência, portanto, implica ampliar continuamente a prática dessas virtudes. Em nosso processo evolutivo, existem duas estradas possíveis: a dos vícios e a das virtudes. A estrada dos vícios é sinuosa, marcada por desvios, atalhos e ilusões. A das virtudes é reta, marcada por oportunidades e responsabilidades.

Desejo que você possa sentir a força das virtudes e encontrar nelas o êxito de suas realizações. Desenvolva sua interioridade em equilíbrio com a exterioridade. Invista no autoconhecimento, na autorrealização, na felicidade e na libertação interior, percebendo, dia após dia, os efeitos benéficos dessa escolha. Como já apontaram grandes pensadores, cientistas e pacificadores, não existe apenas o conhecimento dualista e racional, mas também o conhecimento íntimo, direto, não dual e imensurável, aquele que o ser humano jamais deveria desprezar: o conhecimento de si mesmo.

Experimentemos. A Consciência se pratica.


Profa. Dra. Maribel Barreto é escritora e embaixadora da Paz pela UPF/ONU.

maribelbarreto1@gmail.com


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