ENSINAMENTOS TEOSÓFICOS
Ferdinand van Zalen
Karma, a lei do equilíbrio
Atualmente muitas pessoas já ouviram falar de karma. Mas, você sabe o que o karma significa e de onde ele vem? Você realmente sabe qual é a sua implicação em sua vida cotidiana ou no sentido espiritual? Nas duas últimas colunas, escrevi sobre o tema da reencarnação e o ciclo da evolução humana, temas intimamente ligados ao assunto de hoje: o karma.
A palavra karma vem do sânscrito e significa “ação, feito ou trabalho”, e também é conhecida como a lei de causa e efeito. Segundo a teosofia, essa é uma Lei Universal que guia — sem erros, nossas vidas porque o karma deve se torna um poderoso catalisador para a evolução pessoal, que nos fortalece porque entendemos que não estamos passivamente sujeitos ao destino, mas somos participantes ativos de nosso próprio aprendizado e desenvolvimento, recebendo constantemente novas chances em nosso processo evolutivo.
Passei a compreender o karma como algo profundo, um princípio espiritual magnífico que funciona como um sistema eficiente de feedback, concebido não para punir, mas para ensinar, guiar e, em última análise, nos libertar. O que fizemos retornará a nós em algum ponto de nossa evolução, não necessariamente na mesma forma, nem vindo da mesma fonte ou mesmo na mesma vida. É, em essência, um testemunho do poder de nossas escolhas.
O que realmente me fascina é a sua sutileza e as suas implicações de longo prazo. Os desafios ou dificuldades da vida nos instigam a olhar para dentro, pois são oportunidades dadas pelo universo para compreendermos as consequências de certas ações, refinarmos intenções e escolhermos um caminho mais consciente a seguir. Duas ações idênticas podem gerar resultados cármicos diferentes, baseados unicamente no motivo que as impulsiona. Por exemplo, a gentileza que oferecemos a um estranho, a paciência que demonstramos em um momento desafiador, a integridade que mantemos nos negócios ou, inversamente, as palavras duras contra alguém, o erro que praticamos consciente ou inconsciente que machuca ao outro(a) ou da raiva que nutrimos por alguém.
Embora eu possa não ter escolhido as circunstâncias do meu nascimento ou os desafios exatos que surgem em meu caminho, sempre possuo o profundo poder de escolha no momento presente. Ou seja, estou consciente de minhas escolhas e ações: posso escolher como respondo à adversidade, como interajo com os outros e que energia projeto no mundo. Esse livre-arbítrio é a nossa maior dádiva, permitindo-nos criar conscientemente um karma novo e positivo, capaz de, com o tempo, atenuar ou transformar os efeitos de um karma passado menos favorável. Cada respiração consciente, cada palavra proferida com atenção plena e cada ato de compaixão representam uma oportunidade de moldar um futuro mais benevolente para mim e para o mundo ao meu redor.
Assim, compreender e acreditar no karma — e abraçar o seu princípio — transformou a minha maneira de encarar a vida. Não se trata de temer repercussões, mas de viver com profunda presença, consciência e responsabilidade. É um lembrete, ao mesmo tempo gentil e firme, de que sou parte integrante de um universo interconectado.
Ferdinand van Zalen, engenheiro e teosofista há 30 anos, é mestre em Ocultismo e Mitologia.
ferdinandvanzalen@hotmail.com
