ENSINAMENTOS TEOSÓFICOS

Ferdinand van Zalen

A Unidade de toda vida…


O que significa para você a Unidade da Vida? Você já refletiu sobre isso? Na coluna da edição de Novembro/, o primeiro objetivo da Sociedade Teosófica — Fraternidade Universal — foi descrito como um dos principais temas da teosofia. Trata-se da construção de uma sociedade planetária na qual todos os seres humanos se considerem irmãos e irmãs. No entanto, essa ideia pode ser ainda mais ampliada, pois animais, plantas e minerais também fazem parte da Criação. Essa concepção, naturalmente, traz a questão: qual é a origem da própria Criação?

A Criação é um tema recorrente em filosofia, religião e mitologia. Quando examinamos esses conhecimentos e ensinamentos de perto, descobrimos que a maioria se refere, de uma forma ou de outra, a um Ser Divino ou Energia Divina, Princípio da Unidade que possui diferentes nomes em diferentes tradições. Mas, devemos refletir sobre o por que dessa Unidade ser descrita em tantas histórias ao redor do mundo e em diferentes épocas?

Talvez seja porque muitos seres humanos sentem intuitivamente uma profunda conexão com essa fonte comum e porque quando nos tornamos verdadeiramente conscientes dessa Unidade, começamos a nos perceber como parte da Unidade da Vida. Tal consciência transforma não apenas nossa percepção da Natureza, mas também nossas escolhas e comportamentos diários. Gradualmente, percebemos que cada ação, cada pensamento e cada emoção têm consequências para outras formas de vida. Quando aprendemos a viver a partir da Consciência da Unidade, cultivamos naturalmente relações mais harmoniosas, não violentas e compassivas com a Natureza e com tudo o que nela existe.

No mundo atual, os seres humanos tendem a agir como se estivessem separados da Natureza. Essa separação fragmenta o pensar e, frequentemente, leva a conflitos na vida diária, às vezes, com discussões e violência e, em uma escala maior, com guerras, como infelizmente vemos hoje. Devemos reconhecer que tudo está vivo e interconectado, mesmo que não pareça assim de uma perspetiva puramente humana. Plantas e minerais podem não respirar ou ter batimentos cardíacos como nós, mas essa definição de vida se baseia unicamente nas características físicas do corpo humano. Entretanto, tudo o que se manifesta no mundo físico possui uma forma através da qual o espírito se expressa e é esse espírito que faz de cada ser uma entidade viva. Por isso, devemos conviver e respeitar o planeta e tudo que nele habita: de um ser humano à menor partícula.

O próprio corpo humano é composto de átomos e moléculas. Suas inúmeras combinações formam os órgãos e sistemas que sustentam nossas vidas. Extraordinário, certo?! Para permanecermos saudáveis e vivos, devemos viver em harmonia com todas essas inúmeras entidades dentro do nosso próprio corpo. Se reconhecemos essa necessidade dentro de nós mesmos, por que não buscar também a harmonia com o corpo maior da Natureza?

Atualmente, a humanidade está perturbando a coerência que existe entre as entidades vivas, adoecendo assim a Natureza. Eventualmente, isso pode levar à destruição do mundo natural, assim como o desequilíbrio e a desarmonia podem trazer doenças ao corpo humano. Devemos, portanto, perceber que somos inseparáveis da Natureza, ou seja, somos parte dela e, consequentemente, parte da própria Unidade da Vida, Unicidade, esta que — em última análise — somente pode ser contemplada, pois, conforme a teosofia explica, “esta Unicidade não pode ser descrita, e nenhum ser mortal ou imortal jamais a viu ou compreendeu durante os períodos da Existência. O mutável não pode conhecer o Imutável.” (Doutrina Secreta Parte 2, estrofe 1, sloka 1).


Ferdinand van Zalen, engenheiro e teosofista há 30 anos, é mestre em Ocultismo e Mitologia.
ferdinandvanzalen@hotmail.com


Informar para transformar

Jornalismo positivo há 20 anos.

CONTATO

contato@jornalzen.com.br

© 2025. All rights reserved.