Escolhas novas: hábito x repetição

Andrés De Nuccio

O ano não começa quando você decide ou começa quando você escolhe o que vai repetir?

Janeiro chega com um clima particular. Há uma disposição sincera para fazer diferente, organizar a vida, cuidar melhor do que importa. As decisões não são falsas. Elas nascem de um desejo legítimo de viver com mais coerência. Ainda assim, poucas semanas depois, muita gente percebe um desconforto silencioso, a sensação de que, apesar das boas intenções, algo começa a escorrer pelos dedos.

Costumamos interpretar isso como falta de disciplina ou de força de vontade. Mas essa leitura sobre como agimos é superficial e pobre uma vez que o problema raramente está na decisão que tomamos porque está na expectativa exagerada que colocamos sobre ela.

O cérebro humano não muda por decretos internos. Ele muda por repetição. Não registra o que achamos importante num domingo à noite, mas aquilo que acontece com frequência numa terça qualquer. É por isso que tantos planos bem pensados se desfazem quando a vida volta ao seu ritmo comum. O sistema nervoso aprende (incorpora, registra padrões de comportamento) com repetições, não com uma experiência que entusiasma.

Talvez a pergunta mais honesta no início de um ano não seja “o que eu quero mudar?”, mas outra, mais concreta: o que estou disposto a repetir mesmo quando o dia é comum, cansativo ou frustrante? Ou seja, como respondo quando algo não sai como o esperado e eu me frustro? Como trato minha própria mente quando erro? Qual estado interno eu “treino”, ainda que por poucos minutos e mesmo sem inspiração. Não me refiro a grandes metas, mas a pequenos modos de estar na sua vida, no seu cotidiano, no mundo... A repetição não constrói apenas resultados externos, ela constrói identidade. Aquilo que se repete se incorpora. Vira o jeito habitual de pensar, sentir e agir. Um ano bem vivido não é o mais intenso nem o mais produtivo, mas aquele em que há menos ruptura entre intenção e cotidiano. A organização real da vida começa menos na agenda e mais na forma como a pessoa se habita. Muita gente falha sem perceber porque escolhe objetivos, mas não escolhe práticas internas. Espera que o mundo coopere com seus planos quando essa quase nunca cooperação acontece. Aí, inevitavelmente, se retorna automaticamente aos velhos padrões emocionais, aos hábitos cristalizados no seu cérebro! Isso acontece não por fraqueza de sua parte, mas por falta de treino mesmo, isto é, quando não somos mestres de nossas vidas, o automático governa a vida real.

Ao longo de muitos anos de atuando como psicólogo clínico e docente, fui compreendendo que mudanças consistentes não surgem de viradas heroicas, mas de ambientes que favorecem a repetição consciente, um espaço (virtual) onde você é lembrada, semana após semana, do que escolheu sustentar. É dessa compreensão que nasceu a Confraria da Mente, não como promessa de transformação rápida, mas como um caminho sério e efetivo para quem quer construir clareza, lucidez emocional e estabilidade ao longo do tempo. Talvez este ano não precise de mais ou novas decisões. Talvez precise apenas de uma escolha simples e corajosa, decidir com cuidado o que você vai repetir até que isso se torne parte de você e transforme sua vida.

Para quem sente que esse é um chamado do coração, deixo aqui meu convite para conhecer e se juntar à comunidade da Confraria da Mente, espaço onde você vai compreender se esse caminho faz sentido neste momento da sua vida. Clique agora no link a seguir e conheça mais detalhes:
https://www.cursos-andresdenuccio.com.br/confraria-da-mente


Andrés De Nuccio é psicólogo e professor de meditação

diretor@isvara.com.br