Fundação da Sociedade Teosófica

Ferdinand van Zalen

Você já ouviu falar da Sociedade Teosófica? Na coluna desta edição, vamos mergulhar na história de como os seus fundadores se conheceram e fundaram a Sociedade Teosófica.

Foi em uma fazenda remota e empoeirada em Chittenden, Vermont, nos EUA, durante o outono de 1874, para onde o Coronel Henry Steel Olcott (1832-1907) foi enviado pelo jornal New York Graphic. Jornalista, Olcott tinha a tarefa de escrever uma matéria sobre os extraordinários fenômenos espiritualistas que cercavam a fazenda dos irmãos Eddy, Horatio e William, os quais afirmavam invocar espíritos para aparecerem e produzirem manifestações físicas. Profissional cético e cauteloso, Olcott estava lá pronto para desmascarar ou documentar os acontecimentos misteriosos.

Foi lá que Olcott encontrou Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), que longe de ser uma investigadora comum, era uma “força da natureza”: carismática, fumante inveterada, multilíngue e irradiando uma intensidade que ofuscava as próprias sessões espíritas. Helena imediatamente impressionou Olcott com sua aparência e maneiras. Mais ainda, impressionou por causa dos eventos inexplicáveis que pareciam segui-la pessoalmente, fenômenos mais convincentes e complexos do que o dos irmãos Eddy conseguiam produzir. O fascínio mútuo pelos fenômenos tornou-se o catalisador para a colaboração entre Olcott e Helena que acabou levando à fundação da Sociedade Teosófica em 1875, em Nova York.

Os três personagens principais da fundação foram Blavatsky, Olcott e William Quan Judge (1851-1896). Blavatsky, nascida na Rússia, era uma forte defensora do estudo das religiões e filosofias orientais, que ela acreditava serem a chave para desvendar os mistérios do universo. Olcott, advogado e jornalista americano, serviu como o primeiro presidente da sociedade e foi fundamental para estabelecer sua sede em Adyar, na Índia. Judge, advogado e escritor irlandês, amigo próximo de Helena Blavatsky e de Olcott, que desempenhou papel significativo na expansão da sociedade nos Estados Unidos.

O principal objetivo da sociedade é “promover o estudo da religião comparada, da filosofia e da ciência, bem como incentivar uma compreensão mais profunda dos aspectos espirituais da existência humana.” Os três objetivos, conforme discutido nas colunas anteriores, servem como um guia para este estudo. Desde 1882, a Sociedade Teosófica tem sua sede em Adyar, Chennai, Índia. A sociedade cresceu e passou a incluir filiais e centros de estudo em mais de 50 países ao redor do mundo, com um corpo de membros de todas as origens da vida e crenças religiosas: católicos, hinduístas, budistas, mulçumanos, etc. A organização ainda hoje promove o estudo da espiritualidade, da religião e da filosofia, bem como a exploração de métodos alternativos de cura e o desenvolvimento de habilidades psíquicas.

Olhando para trás, é possível compreender como Henry Olcott, Helena Blavatsky e William Judge foram visionários que buscaram unir pessoas de diversas origens e tradições na busca comum pela sabedoria ancestral e pelo conhecimento esotérico. Seus esforços levaram à criação de uma organização global que continua a inspirar e educar pessoas sobre os aspectos espirituais da existência humana. Sua sede serve como um farol de esperança e inspiração para aqueles que buscam aprofundar sua compreensão dos mistérios da existência e da não existência. Tanto quanto eu, teosofista há 30 anos, muitos teosofistas procuram irradiar, esclarecer e disseminar o espírito da Sociedade Teosófica, seus objetivos e o valor dos mesmos na vida terrena, agora.

Ferdinand van Zalen, engenheiro e teosofista há 30 anos, é mestre em Ocultismo e Mitologia.
ferdinandvanzalen@hotmail.com