João Scalfi
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Deus escreve certo por linhas tortas

Nós seres humanos, não conseguimos fazer uma ideia completa da ação de Deus. Esforçamo-nos para explicar o que nos acontece, mas em regra apresentamos teorias e hipóteses distantes da realidade.

Atualmente, quando a ciência avança como nunca antes, somos quais míopes tateando aqui e ali pela estrada da vida. Podemos concluir que a natureza é governada por determinadas leis, mas não alcançamos inteiramente os seus mecanismos e muitas outras leis escapam à nossa compreensão.

No entanto, a observação e o senso comum permitem-nos deduzir que Deus sempre escreve certo, mesmo pelas linhas tortas que nós mesmos traçamos em nossas vidas, procurando inutilmente fugir das leis perfeitas e imutáveis que Ele criou.

Admitindo-se a perfeição de Deus, como de outra forma não haveria de ser, não se pode imaginar que Ele altere as próprias leis ou que permita que sejam derrogadas ou violadas pelas Suas criaturas.

Ilusão nossa se achamos que isso seja possível. Todas as vezes que tentamos contra a Lei, é iniciado, automaticamente, um procedimento com o propósito de nos ensinar quais são suas regras. E a regra maior de Deus é o bem, de modo que tudo que nos é oferecido e permitido tem por finalidade justamente nos encaminhar para a sabedoria e o amor, a paz e a felicidade.

Do nosso ponto de vista puramente material, com os nossos olhos embaçados e míopes, há muitas coisas tortas na Terra, tais como a miséria, a violência, as calamidades e as doenças.

Todos que aqui vivemos, mais cedo ou mais tarde, enfrentamos situações e problemas que são para nós motivo de muito sofrimento e preocupações. Não raro consideramos que é o fim de tudo, que não há solução e estamos sendo castigados por um Deus tirano e descontente com as nossas atitudes. 

A nossa ignorância não nos permite ver de pronto que a aflição que nos atinge tem por fim amadurecer o espírito e muitas vezes nos colocar em situações melhores. Quando não nos revoltamos, o tempo se encarrega de nos revelar que a situação considerada prejudicial nos favoreceu de alguma forma.

A perda de um emprego nos levou a outro com mais vantagens; um atraso no embarque em aeronave evitou-nos a morte na sua queda; o desencanto afetivo ensejou o encontro de um verdadeiro amor; a doença nos despertou os valores espirituais; e o fenômeno morte colocou nossa alma no plano da imortalidade, permitindo mais altos voos em busca da felicidade.

O que consideramos mal na Terra é apenas uma ocorrência própria do nosso estágio evolutivo, compelindo-nos a crescer e desenvolver as potencialidades divinas que carregamos em germe, para que o bem possa ser o móvel das nossas ações e para que, assim como Deus, possamos escrever certo pelas linhas do livro da vida. 

Fonte: Quando Deus Abre Portas (Donizete Pinheiro) 

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