ZENTREVISTA

ESCUTA SOLIDÁRIA

Drica Pinotti

Filantropia sempre foi uma área de interesse da escritora Drica Pinotti. Morando desde 2017 em Nova York, a paulistana formada em moda passou a se dedicar à literatura desde que saiu da faculdade. Escreveu 16 livros, publicados no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos. Aos 48 anos, Drica decidiu criar, com um grupo de amigas, uma plataforma virtual de suporte emocional aos brasileiros que vivem nos EUA neste momento de enfrentamento do novo coronavírus. O Epidemic Support foi a primeira iniciativa pessoal de Drica, voluntária em organizações como a SOS EB Kids, que trata de crianças com epidormólise bolhosa, que provoca feridas na pele ao menor atrito. Ela já pensa em outro projeto, para ajudar na reconstrução das vidas das pessoas quando o isolamento social terminar. Nesta entrevista ao JORNALZEN, Drica Pinotti dá mais detalhes sobre a rede de voluntários que conecta psicólogos, terapeutas holísticos, instrutores de meditação e especialistas em recursos humanos com pessoas que se cadastram pedindo ajuda por meio do site gratuito.

Quando deixou o Brasil e passou a morar em Nova York?
Cheguei a Nova York em 2008, para estudar inglês. Me apaixonei pela cidade. Passei alguns anos estudando, mas voltei para o Brasil. Entre idas e vindas, decidi me preparar para morar aqui. Consegui o visto de trabalho, fiz meus planos e voltei para publicar meus livros. Desde 2017 venho trabalhando como escritora em NY. No ano passado, publiquei meu primeiro livro em inglês. Finalizei um roteiro para cinema, que estava em pré-produção, mas não sei como o projeto vai se desenvolver com a crise pós-Covid. 

 

Como surgiu a ideia de prestar apoio emocional à comunidade brasileira nos Estados Unidos?
A vida em Nova York é dura. Muitos imigrantes dividem apartamentos pequenos com pessoas estranhas, que acabam se tornando sua família. No primeiro dia do isolamento eu pensei: as pessoas vão enlouquecer, presas dentro de casa, dividindo-a com pessoas com as quais não têm intimidade, ou sozinhas, pensando na família no Brasil. A vida do imigrante é muito solitária. Decidi que iria fazer alguma coisa. Reuni algumas amigas e, depois de dez dias, passamos a atender.  

Quais atendimentos têm sido mais requisitados por meio da plataforma?
O apoio emocional corresponde a 62%, seguido por 20% que precisam de orientação de carreira, que é nosso serviço que ajuda as pessoas a se prepararem para o retorno ao mercado de trabalho depois do final do isolamento. 

Qual a importância desse trabalho no contexto da pandemia do novo coronavírus?
Nós acreditamos que o equilíbrio emocional é fundamental para sobreviver a este momento. Nossa comunidade precisa de ajuda e não podemos contar com o governo americano para cuidar de nós. Muito imigrantes que pagam imposto receberam o cheque de incentivo do governo Trump, mas foi apenas isso. Eles têm muitos problemas e não estão pensando nos imigrantes neste momento. As comunidades precisam se organizar em projetos sociais como o Epidemic Support ou o Mantena Global, que distribui cesta básica gratuitamente para os brasileiros de Newark, para fortalecer nossos compatriotas que estão enfrentando a pandemia com mais dificuldade. Somos mais fortes juntos.  

Como avalia a proposta do JORNALZEN, de divulgar iniciativas positivas e ligadas ao autoconhecimento?
Acredito que a mobilização tem de ser generalizada. Uma entrevista ou um simples compartilhamento de um post nas mídias sociais pode levar o Epidemic Support ou qualquer outro projeto a conseguir mais um voluntário ou alcançar alguém que precisa de ajuda a obtê-la. Todos nós somos responsáveis. Engajamento é necessário e prova de altruísmo social, que é a nossa missão. 

Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores?
Vocês não estão sozinhos. Estamos fisicamente separados, mas estamos juntos em pensamento e atitudes. Cuidem do corpo e da mente. Se você acha que não consegue fazer isso sozinho, não tenha vergonha de procurar ajuda. Esse vírus é cruel. Respeitem as regras de isolamento e cuidem das pessoas ao seu redor. Isso inclui não apenas as pessoas da sua família, mas também aquele vizinho idoso com quem você nunca conversa. Ele precisa de você. Agora, precisamos uns dos outros. Desejo a todos muita saúde e força para enfrentar o que vem depois da pandemia.

 

www.epidemicsupport.com

JORNALZEN® 2020 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS