ZENTREVISTA

JORNADA LITERÁRIA
TS Martins

A cineasta Julia Martins estava em um processo de reconexão com a espiritualidade quando decidiu dar sentido a essas experiências por meio da literatura fantástica. Assim surgiu o livro de estreia dessa paulistana de 42 anos, com o pseudônimo TS Martins. Val nas Alturas conta a história de uma mãe solo que, em busca de cura e transformação, recorre a tratamentos alternativos como acupuntura, ioga, hipnose e meditação. O romance é uma metáfora sobre os universos internos que cada pessoa pode acessar em busca de paz, coragem e amor-próprio. Formada em Relações Internacionais e doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade, TS Martins compartilha o olhar para dentro de si como uma valiosa ferramenta de autoconhecimento e bem-estar que pode impactar todos os seres humanos. Nesta entrevista ao JORNALZEN, a autora comenta sobre a importância do despertar espiritual das mulheres, dá dicas com base nas experiências pessoais e fala sobre projetos futuros. 

Por que decidiu trabalhar o enredo de seu livro de estreia em torno de um despertar espiritual feminino?

O enredo surgiu para tentar dar conta da minha própria experiência pessoal de reconexão com a espiritualidade em anos recentes e para lidar com todas as ideias com que eu vinha tomando contato. Acho que a ficção me ajudou a dar sentido a essa experiência e, assim, poder transmiti-la. 

 

O que a espiritualidade significa para você? E como levou essa percepção para as atitudes, escolhas e experiências da protagonista de seu livro?

Para mim, a espiritualidade é uma tentativa de buscar um sentido mais profundo para a experiência que temos enquanto seres humanos. Buscar compreender quem somos e porque estamos aqui. Isso faz parte de uma busca espiritual, além de procurar conhecer a si mesmo e viver bem. 

 

Como a criação de histórias pode se tornar uma ferramenta para traduzir ideias e sentimentos que não podem ser expressos de outra forma?

O ser humano sempre usou as narrativas para transmitir ideias especiais, desde a mitologia e os contos folclóricos até a literatura contempornea. São sentimentos que não podem ser transmitidos de outra forma, acontecimentos que teriam um sentido limitado se fossem apenas racionalmente descritos. As histórias dizem mais do que parecem dizer à primeira vista. Porque a ficção se fundamenta na suspensão da descrença e sobre uma série de premissas que o leitor deve aceitar de antemão se quiser embarcar na história.

 

Quais dicas daria para as mulheres que precisam se reencontrar diante a situações desafiadoras da vida?

Em primeiro lugar, buscar ressignificar a própria história. A transformação necessita de uma nova narrativa que ficará no lugar da antiga. Em segundo lugar, no dia a dia, eu começaria tentando levar a sério a prática da meditação. Acho que ela tem um efeito restaurador para o cérebro. Meditar deveria ser incentivado nas escolas, para que todo ser humano pudesse se beneficiar dessa prática.

 

Pretende seguir na mesma linha, com foco na espiritualidade?

Acho que sempre haverá um pouco de espiritualidade nos meus trabalhos daqui por diante, mas nem sempre será esse o foco. Estou escrevendo um próximo livro que traz ensinamentos de Ayurveda e Vedanta, mas o foco já não é mais a espiritualidade, e, sim, o desejo pela vida eterna.

 

Como avalia a proposta do JORNALZEN?

Acho muito importante a proposta de informar visando a transformação, tanto pessoal como da sociedade. Todos somos capazes de mudanças importantes se tivermos acesso às ferramentas certas. É muito injusto viver uma vida de ignorância se o conhecimento está disponível. Então, considero um nobre trabalho este de difundir o conhecimento em prol da transformação.

Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores?

A mudança é sempre possível. E não há vergonha nenhuma em admitir que precisamos mudar. Pelo contrário, exige muita coragem para enfrentar nossas próprias sombras. Mudem, transformem-se, sejam seres humanos cada vez melhores. E vamos todos juntos fazer deste mundo um lugar bom para se viver, em que o amor e a compaixão sejam as notas dominantes. 

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