Leis inexplicáveis da natureza
Ferdinand van Zalen
Você já vivenciou algo e pensou “Isso não pode estar certo, é impossível” ou “Já vi isso ou já estive aqui antes”? O terceiro objetivo da teosofia trata dessas experiências e encoraja você a investigar as leis inexplicáveis da natureza e os poderes latentes no ser humano. Este não é apenas um conceito teórico, mas um chamado para iniciar uma jornada de descobertas que podem transformar sua compreensão sobre o cosmos e sua noção de identidade.
Pensando nas leis inexplicáveis da natureza, sou levado a pensar nos limites da ciência que me fazem questionar sobre o que realmente existe além do Universo que podemos observar com os recursos tecnológicos disponíveis hoje. Também penso sobre qual é a natureza da consciência e como ela está relacionada ao cérebro. Essas podem ser consideradas curiosidades acadêmicas, mas para mim são mistérios cujo entendimento podem alterar minha percepção da realidade.
É possível encontrar muitos exemplos na ciência. Por exemplo, a evolução atômica. No início do século XIX, J. Dalton (1766-1844) afirmou que toda a matéria é feita de átomos indivisíveis e indestrutíveis. No final do século XIX, J.J. Thomson (1856-1940) descobriu o elétron dentro do átomo. E. Rutherford (1871-1937) descobriu que o átomo possui um núcleo com carga positiva e o elétron orbitando ao seu redor. Mais tarde, em 1913, Niels Bohr (1885-1962) refinou o modelo de Rutherford, sugerindo que os elétrons orbitam o núcleo em níveis de energia específicos e fixos. Tudo isso levou ao Modelo Mecânico Quântico da década de 1920, e havia (há) ainda muito mais a ser descoberto!
É interessante saber que o conhecimento sobre os limites do poder da humanidade também estão se expandindo. O conceito de poderes latentes no ser humano se refere às capacidades mais profundas e muitas vezes inexploradas que permanecem adormecidas dentro de cada um de nós: a intuição, a resiliência, as habilidades de autocura e, possivelmente, os potenciais cognitivos que ainda não entendemos. Esse objetivo teosófico encoraja a exploração de temas como mindfulness, meditação, psicologia e desenvolvimento pessoal como caminhos que favorecem o desbloqueamento do potencial humano.
Quando eu faço meditação, com frequência, meus pensamentos estão na minha cabeça e eu me distraio. Mas, uma vez, os pensamentos vieram e não me afetaram. Era como um trem passando, cada vagão com alguns pensamentos que iam embora... Eu não estava ligado a esses pensamentos — eles apenas passavam. Eu me senti calmo e sereno, expandindo. Não cheguei a sentir que eu “era um com o Universo”, mas eu sabia que estava conectado de alguma forma.
Ou seja, esse objetivo nos desafia à introspecção. Olhar para dentro de nós nos ajuda a compreender a complexa interação entre mente, corpo e espírito e a cultivar as forças internas que podem levar a um maior bem-estar e propósito na vida. Essa interconexão inerente nos vários níveis da vida humana e entre a espiritualidade e a ciência reflete uns aos outros porque esses níveis estão unidos pelos mesmos princípios fundamentais. Desbloquear nossos poderes latentes nos permite ganhar perspectivas e compreensões intuitivas que nos auxiliam na compreensão do mundo natural, e assim podemos encontrar paralelos e insights que iluminam os mistérios dentro dos quais estão inseridos nossa consciência e nosso ser. Convido você, portanto, a pensar neste terceiro objeto teosófico como um participante ativo na grande aventura da existência terrena. Quanto mais compreendermos o espírito humano como parte do Universo, mais nossa consciência universal se expandirá coletivamente.
Ferdinand van Zalen, engenheiro e teosofista há 30 anos, é mestre em Ocultismo e Misticismo.
