O caminho para a saúde plena

Madá Neves

“Comer é uma necessidade,

mas comer com inteligência é uma arte”

– François de La Rochefoucauld


Integrativa, uma palavra do momento: comunidade integrativa, saúde integrativa, medicina integrativa, terapia integrativa, alimentação integrativa. Mas qual é o significado de integrativa? Do latim integrare, “tornar inteiro”, refere-se a uma abordagem que promove a união, completude e síntese de diferentes elementos, visando tratar algo em sua totalidade. É uma abordagem holística que se concentra no indivíduo como um todo.

Na alimentação integrativa, a nutrição trata o indivíduo como um todo — biológico, emocional, mental e social — e não foca apenas na contagem de calorias ou na restrição alimentar. Prioriza alimentos naturais, orgânicos e funcionais, buscando o equilíbrio do organismo, a saúde intestinal e a relação consciente com a comida. No que tange à individualidade bioquímica, a nutrição integrativa reconhece que cada corpo é único, respeitando o metabolismo e as necessidades específicas de cada pessoa. Atualmente, a visão de alimentação consciente (mindful eating), o foco é colocado no prazer, na qualidade e na relação com a comida, substituindo ultraprocessados por alimentos naturais e minimamente processados.

A alimentação integrativa entende que hábitos, emoções e alimentação estão interconectados e impactam a saúde de dentro para fora. Há grandes benefícios nesta prática que vai além das dietas restritivas porque ela visa a reeducação alimentar sustentável e prazerosa através de alimentos funcionais que consiste na utilização de compostos bioativos e alimentos que promovem a saúde (anti-inflamatórios), fortalecendo o sistema imunológico e melhorando a microbiota intestinal. A visão é de saúde a longo prazo que proporciona bem-estar, melhora a energia, ajuda a prevenir doenças crônicas e favorece um envelhecimento saudável. É um “gesto de amor-próprio” e uma ferramenta terapêutica, onde o nutricionista trabalha em conjunto com o paciente para encontrar um estilo de vida mais harmônico.

Os quatro pilares da alimentação overstress são:

Qualidade: consumir comida de verdade, in natura e minimamente processada, priorizando frutas, legumes, verduras, grãos integrais e evitando ao máximo ou eliminando de vez alimentos processados e ultraprocessados, que são nocivos a saúde por serem ricos em açúcar, sal e gorduras.

Quantidade: o suficiente para as necessidades individuais, mas sem excessos. É importante consumir alimentos em proporção adequada para suas necessidades energéticas e nutricionais. Não se trata de restrição, mas de moderação e de entender o que seu corpo precisa.

Variedade/equilíbrio: um pilar não menos importante está ligado a cores e grupos de nutrientes no prato. Um prato colorido garante mais vitaminas e minerais. Será sempre uma boa escolha incluir diferentes grupos alimentares.

Adequação: é primordial ajustar à idade, ao sexo, estado de saúde, à rotina e ao nível de atividade física. Juntos, eles formam uma base para uma nutrição saudável, focando em alimentos frescos, proporções corretas e personalização.

O quarto pilar personaliza os outros, pois reconhece que as necessidades mudam na evolução da vida, que se inicia na gestação, segue na infância, adolescência, vida adulta até idade avançada, quando o corpo tem carências diferentes de nutrientes. Lembre-se: comer bem na maior parte do tempo e não apenas em um dia é essencial para manter o equilíbrio, uma vida saudável, sustentável e longeva.

Madá Neves é professora, pedagoga, mestra em Tecnologia da Informação e especialista em Deficiência Intelectual

marianeves0812@gmail.com