Ser emocionalmente flexível

Windyz Ferreira

Você sabe que ser flexível (ou não) afeta seu dia a dia? E, você sabia que é possível cultivar essa qualidade valiosa em nossas vidas?

Geralmente, as pessoas associam “flexibilidade” a movimento corporal. Embora a flexibilidade física seja essencial para manter a saúde muscular e a mobilidade, reduzindo o risco de lesões e doenças crônicas, ela não é a única que importa na vida com qualidade. Para além da saúde física, a flexibilidade se refere a capacidade de se adaptar, à resiliência emocional, mental e espiritual. Ser flexível significa estar aberto a mudanças, desafios e novas experiências, o que é fundamental para manter a saúde e o bem-estar em todos os aspectos da vida e, por isso, ela é fundamental para manter a saúde mental uma vez que nos ajuda a lidar melhor com o estresse e as adversidades.

De acordo com Daniel Siegel, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, “a flexibilidade é um dos principais preditores de bem-estar emocional” que possibilita que nos conectemos melhor com nossas próprias emoções e com outras pessoas, fundamental para viver relacionamentos saudáveis e encontrar o propósito na vida. Isso mesmo, ao ser flexível, você afeta positivamente seu dia a dia e bem-estar: lidamos melhor com mudanças e imprevistos e, consequentemente, reduzimos o estresse e a ansiedade. Ao ser flexível também nos tornamos mais criativos e inovadores, qualidades essenciais para adaptar-se à várias situações sem desgaste.

O que acontece quando as pessoas são inflexíveis? Pesquisas mostram que pessoas inflexíveis tendem a sofrer mais de problemas de saúde mental e física. De acordo com um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, “pessoas inflexíveis tendem a ter níveis mais altos de estresse e ansiedade, o que pode levar a problemas de saúde como hipertensão e doenças cardíacas” (Tugade & Fredrickson, 2004). A inflexibilidade também pode levar a problemas relacionais e profissionais, pois essas pessoas tendem a ter dificuldades em se adaptar a novas situações e lidar com conflitos.

De acordo com o Robert Sapolsky, neurocientista da Universidade de Stanford, “a inflexibilidade pode ser uma resposta adaptativa a situações de estresse e perigo, mas também pode ser um hábito aprendido que é difícil de mudar” (2017) porque é influenciada por fatores culturais e sociais, que funcionam como padrões ou expectativas. As pessoas inflexíveis sofrem mais porque tendem a ter dificuldades em se adaptar a mudanças e a lidar com desafios; elas tem sensação de rigidez e limitação que reduz a capacidade de experimentar coisas novas e de encontrar propósito na vida. De acordo com Brené Brown, professora de pesquisa na Universidade de Houston, “a inflexibilidade é uma das principais barreiras para a felicidade e a realização” (Brown, 2012). Então, não vale a pena ser emocionalmente inflexível e para mudar deixo algumas dicas:

  • Medite: silencie e viva no presente.

  • Desenvolva a autocompaixão: trate os outros sempre com gentileza e compreensão.

  • Aprenda a lidar com a incerteza: sentir em dúvida é normal, seja tolerante.

  • Fortaleça sua resiliência: recupere-se de desafios e adversidades com rapidez.

A flexibilidade é, portanto, uma qualidade valiosa que pode ser cultivada e desenvolvida com prática e paciência. E sempre se lembre de que a flexibilidade é um processo contínuo — há sempre espaço para crescer e melhorar.


Profa. Dra. Windyz Ferreira é especializanda em Neurociências e professora de meditação.

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