Servir nos aproxima do Divino
Windyz Ferreira
Sempre fui uma pessoa que gosta de ajudar. Minha mãe é assim, e eu aprendi com ela. Certamente, ela tem um papel nessa minha forma de ser no mundo. Todavia, conforme fui trilhando o caminho espiritual, fui estudando, aprendendo, me conectando mais e mais com o plano superior, compreendi que há mais no ato de servir do que apenas uma aprendizagem terrena (no meu caso, por meio de minha mãe). Servir alguém (uma pessoa, um animal, um enfermo/a, um idoso/a) ou algo (uma causa, um contexto) me traz uma sensação de bem-estar profundo, que transcende apenas o “fiz minha parte...”. Servir me traz aquele sentimento de paz e de conexão com algo que eu não entendia que era Divino, mas que hoje eu sei por que ao servir estou expressando minha alma pura, elevada, compassiva, através de meu corpo físico.
Etimologicamente, a palavra “servir” vem do latim servire, que significa estar a serviço, ser escravo, servo, termos que refletem uma origem ligada à submissão e ao trabalho para outro, mas com o tempo esta palavra evoluiu para significados mais amplos de ajuda e utilidade, como em diakoneō (grego, ministrar) e avodah (hebraico, serviço/adoração).
O ato de servir brota da amorosidade, que é uma virtude da alma e que faz com a gente se torne natural e espontaneamente útil. E, claro, essa manifestação de generosidade incondicional implica não querer ou esperar algo em troca (vou ser útil, mas logo vou obter X). Ela nos preenche, traz alívio e cura dores. Isso acontece porque quando servimos manifestamos o Divino que há em nós e ao nos conectarmos com o poder Divino vem a cura de dentro para fora. A ciência chama essa ocorrência de “remissão espontânea” ou, popularmente, “milagre”, ou seja, curas que acontecem do nada e a que a medicina não consegue explicar... De alguma forma, eu intuía que o serviço ao próximo vai além da ajuda material. Servir toca processos profundos de cura de quem recebe e de quem serve. Quando escuto com presença, abraço sem julgamento e ofereço tempo sem cobrar retorno, algo em mim se transforma... meu estresse e ansiedade diminuem e meu coração se alivia. Essas mudanças verificáveis sobre a intuição espiritual estão sendo agora confirmadas cientificamente.
Um estudo realizado na Universidade de Michigan (EUA), pela Dra. Stephanie Brown, mostrou que pessoas que se envolvem regularmente em atos de ajuda têm uma redução significativa no risco de mortalidade. E, o mais incrível, é que esse efeito só aparece quando o ato de servir é feito com empatia genuína, não por obrigação ou busca de reconhecimento. Ou seja, literalmente, o coração por trás da ação é o que cura! Outra pesquisa importante, conduzida na Universidade de Yale, investigou como o voluntariado impacta a saúde mental. Os resultados mostram que pessoas que dedicam tempo ao serviço comunitário apresentam níveis mais baixos de depressão, maior sensação de propósito e até melhora nos marcadores inflamatórios do corpo, ligados a doenças crônicas. Servir, portanto, age como um antídoto natural contra o isolamento e o desespero.
Esses estudos me fazem compreender que curar não é apenas uma responsabilidade médica, mas uma responsabilidade inerente, que vive dentro de cada ser humano e que precisa ser urgentemente resgatada e ativada. O apoio dado, uma escuta ativa ou a presença silenciosa em momentos difíceis pode fazer parte de um movimento terapêutico coletivo de cura emocional e espiritual. Assim, concluo minha coluna convidando você, leitor/a do JORNALZEN a entrar nesse movimento de cura, realizando já atos de servir silenciosamente...
Profa. Dra. Windyz Ferreira é especializanda em Neurociências e professora de meditação.
