Você sabe o que é leucemia?

Você provavelmente já ouviu falar de leucemia, certo? Conhece alguém entre seus familiares, amigos ou colegas que tenha sido diagnosticado com câncer — ou, especificamente, com leucemia? Em 2013, eu fui diagnosticado com Leucemia do tipo Tricolemia e estou curado, mas tenho acompanhamento médico a cada ano.

Ferdinand van Zalen

Você provavelmente já ouviu falar de leucemia, certo? Conhece alguém entre seus familiares, amigos ou colegas que tenha sido diagnosticado com câncer — ou, especificamente, com leucemia? Em 2013, eu fui diagnosticado com Leucemia do tipo Tricolemia e estou curado, mas tenho acompanhamento médico a cada ano.

Dia 22 de setembro é o Dia Mundial da Leucemia Mieloide Crônica. A leucemia é um tipo de câncer que afeta as células sanguíneas da medula óssea, local onde essas células são produzidas. Ela atinge os tecidos formadores de sangue, substituindo células saudáveis por células anormais. É classificada em tipos, baseados em velocidade de progressão e nas células específicas afetadas: tipo agudo, que progride rapidamente e envolve células imaturas; tipo crônico, que avança mais lentamente e envolve células mais maduras; e o terceiro tipo baseia-se nos glóbulos brancos afetados: linfoides ou mieloides. Os sintomas comuns incluem fadiga e fraqueza excessivas, febre ou infecções frequentes, hematomas ou manchas vermelhas na pele, sangramentos fáceis (como no nariz ou nas gengivas) e perda de peso inexplicada.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, os dados mostram que especificamente em relação à leucemia, registram-se 12.220 novos casos anuais, o que corresponde a aproximadamente 5,4 casos para cada 100 mil habitantes.


Diferenças entre gênero

A leucemia é o nono tipo de câncer mais comum entre homens e o 11º entre mulheres no Brasil, manifestando-se com maior frequência e gravidade nos homens. As mulheres geralmente apresentam melhores taxas de sobrevida, mas têm maior sensibilidade aos efeitos colaterais do tratamento. Pacientes do sexo masculino tendem a apresentar desfechos clínicos menos favoráveis ​​e menor sobrevida global. O sistema imunológico feminino e a presença de estrogênio parecem desempenhar um papel protetor, ajudando a retardar a progressão da doença.

Os organismos masculino e feminino respondem de maneiras diferentes à quimioterapia. As mulheres respondem melhor e alcancem taxas de remissão (cura) mais elevadas. Todavia tendem a sofrer mais com toxicidades durante a quimioterapia, enfrentando períodos de internação mais longos devido à recuperação celular mais lenta.


Diferenças relacionadas à idade

Essas diferenças são marcantes. Embora a leucemia seja o câncer mais comum em crianças, a maioria dos casos ocorre, na verdade, em adultos mais velhos. Entre crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos), as leucemias agudas representam a grande maioria dos casos (75%) e caracterizam-se pela rápida proliferação celular. Ocorre uma mudança no grupo de adultos jovens e de meia-idade (de 20 a 49 anos): o risco de leucemia aguda diminui, enquanto a leucemia crônica surge de forma mais significativa. Entre adultos mais velhos (50–60 anos ou mais), a idade média ao diagnóstico é de aproximadamente 69 anos, com predominância das formas crônicas. A resposta ao tratamento tende a ser mais complexa do que em pacientes mais jovens. Isso ocorre porque as células leucêmicas em pacientes idosos/as frequentemente apresentam mutações genéticas mais resistentes, e o organismo possui menor tolerância à quimioterapia agressiva devido a condições de saúde preexistentes.


Tratamentos

O tratamento da leucemia varia, dependendo de a doença ser aguda ou crônica e da idade do paciente. A quimioterapia é a terapia mais comum e conhecida; ela destrói as células doentes. Outra opção de tratamento é o transplante de medula óssea, que substitui a medula doente por células saudáveis. Existem medicamentos orais para bloquear uma enzima responsável pelo crescimento celular. Por fim, há terapias de suporte para combater as reações do organismo, como transfusões de sangue, uso de antibióticos e controle de infecções.



Taxa de cura

Entre crianças a chance de cura é de cerca de 90% quando o diagnóstico e o tratamento são realizados precocemente. Para adultos, as taxas de cura giram em torno de 65%, embora em grupos de alto risco esse índice caia para aproximadamente 20%. O termo “cura” é menos utilizado para as leucemias crônicas, mas a doença é considerada controlável.


Mortalidade

Aproximadamente 18% de todas as mortes no Brasil são causadas pelo câncer, o que o torna a segunda principal causa de morte no país, superado apenas pelas doenças cardiovasculares. A taxa de mortalidade por câncer é de aproximadamente 4 mortes por 100 mil habitantes.


Ferdinand van Zalen é colunista do JORNALZEN


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